Placa solar dia nublado e telhado sombreado: quanto a geração cai?

Bruno Santos, fundador da LB e eletricista certificado pelo SENAI
Bruno SantosFundador da LB · eletricista certificado pelo SENAI · consultor de SEO Publicado em · Atualizado em · 6 min de leitura
Inversor solar fixado na parede ao lado de uma caixa de proteção aberta, com disjuntores, protetores de surto e cabos vermelhos, pretos e verdes

Placa solar dia nublado funciona: a geração cai junto com a luz, mas não zera. Na estimativa da NASA para a região de Salvador, o pior dia de 2021 a 2025 recebeu cerca de 36% da luz de um dia médio. Já a sombra no telhado derruba mais: uma sombra pequena pode reduzir muito a geração de um módulo, e o tipo de inversor muda o tamanho do prejuízo.

Placa solar funciona em dia nublado? Funciona, com menos geração

Funciona: a nuvem reduz a luz que chega à placa, e a geração cai na mesma proporção, sem chegar a zero. Na estimativa da NASA para a região de Salvador e Feira de Santana, o pior dia entre 2021 e 2025 recebeu 1,9 kWh/m², cerca de 36% de um dia médio, que recebe 5,3.

A geração de uma placa acompanha, de modo geral, a luz que chega nela. Por isso o dia nublado é um dia fraco e não um dia sem geração, e a casa continua ligada à rede, então nada falta. Neste guia, os números de luz vêm da base NASA POWER, que são estimativas de satélite com grade de 1 grau (cerca de 100 km). Servem como referência regional, e o seu telhado pode ter pequenas diferenças.

Quanto a geração cai: o que cinco anos de dados mostram

Na maior parte dos dias a luz fica entre 70% e 90% da de um dia de céu limpo, e menos de 5% dos dias ficam abaixo de 50%. O quadro foi montado com os dados diários da NASA para as coordenadas de Conceição do Jacuípe, de janeiro de 2021 a dezembro de 2025 (1.826 dias).

Luz do dia em relação a um dia de céu limpoParcela dos dias
Menos de 50% (muito fechado)4,2%
De 50% a 70% (nublado)26%
De 70% a 90% (parcialmente nublado)59%
90% ou mais (céu limpo)10,8%

A mediana foi de 5,3 kWh/m² por dia, e em 10% dos dias a luz ficou abaixo de 3,5 kWh/m². A maior sequência de dias abaixo desse valor foi de 5 dias seguidos. Para um sistema de 4 kWp, com desempenho de 80%, isso dá cerca de 17 kWh em um dia médio e 6 kWh no pior dia da série. Os créditos acumulados cobrem esses dias fracos, e o que importa é o total do mês.

Verão e inverno: o que pesa mais, a nuvem ou o sol baixo?

O inverno gera menos principalmente porque o sol fica mais baixo e o dia mais curto, e só em parte por causa das nuvens. Em junho a luz média é 63% da de janeiro. Mesmo com céu limpo, junho receberia 68% da luz de janeiro (5,46 contra 7,97 kWh/m² por dia), efeito do sol mais baixo e do dia mais curto.

A tabela mostra a média mensal de luz na região, a parcela dela que chega em relação a um dia de céu limpo (o efeito das nuvens) e quanto 1 kWp gera por mês, usando 30 dias e desempenho de 80%.

MêsLuz média (kWh/m² por dia)Em relação ao céu limpoGeração de 1 kWp (kWh por mês)
Janeiro6,2278%154
Fevereiro6,0978%136
Março5,6677%140
Abril4,9375%118
Maio4,2072%104
Junho3,9172%94
Julho4,1573%103
Agosto4,6373%115
Setembro5,3276%128
Outubro5,8077%144
Novembro6,0077%144
Dezembro6,2479%155

Os valores são a média de 2001 a 2025 e a geração é uma conta, não uma medição. Note o efeito disso na hora de dimensionar: a média anual é de cerca de 128 kWh por kWp por mês, mas junho fica 27% abaixo dela. Por isso o sistema é calculado pela média e conta com o crédito do verão para o inverno, como mostra o guia quantas placas solares preciso.

Telhado sombreado: por que uma sombra pequena derruba tanto

Uma sombra pequena derruba muito porque as células de um módulo estão ligadas em série: a parte à sombra limita a corrente do conjunto. Em ensaio experimental na Universidade de Caxias do Sul, sombrear apenas 15% do módulo na horizontal levou a geração para perto de zero.

O mesmo trabalho da UCS mostra que a posição da sombra faz diferença: com 50% do módulo sombreado na vertical, a geração caiu para 25,3% da potência nominal, porque os diodos de desvio isolam parte das células. É um ensaio com um módulo, e o resultado no telhado depende da forma como as placas foram ligadas.

O risco além da perda de geração

Uma célula sombreada pode receber energia das demais e esquentar mais que o resto, o chamado ponto quente, como descreve um estudo da UFRGS apresentado no Congresso Brasileiro de Energia Solar. Por isso sombra recorrente em um ponto do telhado precisa ser resolvida no projeto, e não ignorada.

Inversor string, microinversor ou otimizador: o que cada um faz com a sombra

No inversor string a sombra em uma placa pode reduzir a fileira inteira, e no microinversor ela reduz só a placa sombreada. O otimizador funciona por placa como o microinversor, mas mantém um inversor central.

SoluçãoComo funcionaEfeito da sombraQuando faz sentido
Inversor stringUm inversor para uma fileira de placas ligadas em sérieA placa sombreada pode limitar a produção da fileira todaTelhado livre de sombra, de uma ou poucas águas
MicroinversorUm pequeno inversor para cada placaA perda fica só na placa sombreadaSombra parcial que não dá para eliminar, ou telhado com várias orientações
Otimizador de potênciaConversor por placa, ligado a um inversor centralIsola o efeito da sombra por placaSituações parecidas com as do microinversor

O ganho de energia não é automático. O estudo da UFRGS comparou as duas soluções em uma instalação hipotética, em dois dias do ano, e achou ganho de energia de 1% com microinversores. O próprio estudo conclui que o ganho depende de cada caso de sombreamento e, citando outra fonte, aponta custo de usinas com microinversores cerca de 20% maior. Peça ao instalador a simulação do ganho em kWh por mês: se a diferença não paga o equipamento, o inversor string segue sendo a escolha melhor.

Como avaliar a sombra do seu telhado em cinco passos

Observe o telhado em três horários e em duas épocas do ano. A sombra do inverno é a mais longa, e o que não sombreia em dezembro pode sombrear em junho.

  1. Olhe o telhado às 9h, às 12h e às 16h, em dia de sol, anotando onde a sombra cai.
  2. Repita no inverno, ou ajuste de cabeça: com o sol mais baixo, as sombras ficam maiores.
  3. Liste os obstáculos: caixa d'água, antena, chaminé, platibanda, árvores e prédios vizinhos.
  4. Pense no crescimento das árvores nos próximos anos, e não só no tamanho de hoje.
  5. Peça a análise de sombreamento no projeto, com a geração estimada mês a mês e o desenho das placas na água do telhado.

No hemisfério sul, as placas rendem mais voltadas para o norte, e uma água sombreada pela manhã ou à tarde pode ser aceitável se o meio do dia estiver livre. Quem avalia isso no local é o instalador, e a proposta de energia solar residencial deve mostrar o resultado.

Geração caiu: é nuvem ou defeito?

Se a queda coincide com dias fechados e volta ao normal com sol, é nuvem. Se ela continua em dia de céu limpo, procure sujeira, sombra nova, alerta no inversor ou conexão solta.

  • O aplicativo do inversor mostra a geração dia a dia, e a queda coincide com os dias nublados?
  • Em dia de sol forte, a geração é parecida com a de dias de sol anteriores?
  • Há alerta ou falha registrada no aplicativo do inversor?
  • Do chão, as placas parecem sujas, com folhas ou cobertas de poeira?
  • Surgiu um obstáculo novo no telhado, como árvore crescida, antena ou caixa d'água?

A limpeza, a revisão de conexões e a leitura do desempenho são a limpeza e manutenção de painéis. O artigo sobre geração solar que caiu detalha o diagnóstico. Não suba no telhado nem mexa em cabos por conta própria: as placas geram tensão sempre que recebem luz, mesmo com o disjuntor da rede desligado.

Para sistemas de empresas, que têm telhados maiores e mais riscos de sombra, veja energia solar industrial. E para entender se a geração compensa o investimento na Bahia, leia energia solar vale a pena na Bahia.

Perguntas frequentes

A placa solar gera energia com chuva?

Gera, mas bem menos, porque a luz que passa pelas nuvens é fraca. Nos dados da NASA para a região, os dias mais fechados de 2021 a 2025 ficaram perto de 2 kWh/m², contra a média de 5,3 kWh/m².

Quantos dias nublados seguidos o sistema aguenta?

A casa segue ligada à rede e não fica sem energia: nos dias fracos usa a rede e os créditos acumulados. Na série de 2021 a 2025, a maior sequência com luz abaixo de 3,5 kWh/m² foi de 5 dias.

Uma sombra pequena no telhado derruba toda a geração?

Depende da posição e da ligação das placas. Em ensaio de laboratório, 15% de um módulo sombreado na horizontal levou a geração perto de zero, e no inversor string a sombra em uma placa pode limitar a fileira toda.

Microinversor sempre compensa em telhado com sombra?

Não. Em um estudo da UFRGS com instalação hipotética, o ganho foi de 1% e o custo maior que o da solução com inversor string. Peça a simulação de ganho em kWh para o seu telhado.

Em que época do ano a geração é menor na Bahia?

Em junho e julho. Pela estimativa, 1 kWp gera cerca de 94 kWh em junho e 103 kWh em julho, contra 155 kWh em dezembro, e a média anual fica perto de 128 kWh por mês. O glossário de energia solar explica o kWp.

Bruno Santos, fundador da LB
Bruno Santos Fundador da LB Elétrica e Automação Residencial

Eletricista profissional certificado pelo SENAI, com mais de 20 anos de experiência e especializado em elétrica voltada à automação residencial. Também atua como consultor de SEO. Conheça a LB e os fundadores ou veja o perfil profissional de Bruno.

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