Lei 14.300 energia solar e a taxação do sol: o que muda para quem instala agora

Bruno Santos, fundador da LB e eletricista certificado pelo SENAI
Bruno SantosFundador da LB · eletricista certificado pelo SENAI · consultor de SEO Publicado em · Atualizado em · 7 min de leitura
Casa brasileira com painéis solares no telhado e sistema de automação integrado

A Lei 14.300 da energia solar é o marco legal da geração própria: quem pediu acesso à distribuidora depois de janeiro de 2023 paga uma parte crescente do Fio B sobre a energia compensada, de 60% em 2026 a 90% em 2028. Esse é o efeito da chamada taxação do sol, que não é imposto sobre o sol nem sobre a geração. Para quem instala agora a economia continua, só que um pouco menor, e a regra a partir de 2029 ainda depende da ANEEL.

O que é a Lei 14.300 e o que significa "taxação do sol"

A Lei 14.300, de janeiro de 2022, é o marco legal da geração distribuída, e a "taxação do sol" é a cobrança gradual de parte da tarifa da rede sobre a energia que você injeta e depois usa como crédito. Não é imposto sobre a luz do sol nem sobre o que o sistema gera.

Pelo sistema de compensação, a energia que sobra da sua geração vai para a rede da distribuidora e volta como crédito na fatura. A lei define microgeração como a central de até 75 kW em corrente alternada, que é o caso de casas e da maioria dos comércios. O que muda para quem instala agora é que parte do uso da rede passa a ser cobrada, e essa parte é conhecida como Fio B.

O artigo 27 da lei não usa o nome "Fio B". Ele fala em percentuais das componentes da tarifa ligadas à remuneração, à depreciação e à operação e manutenção da rede de distribuição, aplicados sobre toda a energia compensada. O termo está no glossário de termos de energia solar.

A linha do tempo do Fio B, de 2023 a 2029

Para quem entrou na regra de transição, a cobrança sobe 15 pontos por ano, de 15% em 2023 a 90% em 2028, e em 2029 a lei passa a valer outra regra. A tabela traz a escala do artigo 27.

AnoParte do Fio B cobrada sobre a energia compensada
202315%
202430%
202545%
202660%
202775%
202890%
2029 em dianteregra do artigo 17, definida pela ANEEL (ainda sem regra final)

O percentual vale para cada kWh compensado, e não para o kWh que você consome na hora em que gera. Os créditos continuam valendo 60 meses, e o valor do Fio B em reais é o que a tarifa da sua distribuidora define, que muda a cada reajuste.

Qual regra vale para o seu caso

Depende de quando o sistema existia ou do dia em que o pedido de acesso foi protocolado na distribuidora, e não da data em que a obra foi feita. A tabela resume os casos que a lei prevê.

Seu casoRegra que vale
Sistema já existia na publicação da lei (janeiro de 2022)Regra antiga, sem o Fio B, até 31 de dezembro de 2045
Pedido de acesso protocolado nos 12 meses seguintes à publicação (até o início de janeiro de 2023)Regra antiga, sem o Fio B, até 31 de dezembro de 2045
Pedido entre o 13º e o 18º mês depois da publicação (de janeiro a julho de 2023)A regra nova do artigo 17 só vale para você a partir de 2031
Pedido feito depois disso, inclusive agoraEscala do Fio B (60% em 2026) e, a partir de 2029, a regra nova

O que ninguém te conta é o caso da ampliação. Quem tem um sistema antigo e aumenta a potência não leva a regra antiga para a parte nova: pela norma da ANEEL, a parcela do aumento entra na regra de transição, e os descontos da energia injetada depois do aumento são proporcionais entre a potência antiga e a nova. Antes de ampliar, peça à distribuidora a classificação do seu sistema.

O que o Fio B faz com o retorno: a conta com números

No exemplo abaixo, cada ano de Fio B soma de 2 a 4 meses ao retorno em relação a um sistema sem a cobrança, e não o inviabiliza. Todos os valores são ilustrativos, e a mesma conta pode ser feita com a sua fatura.

As premissas: sistema que gera 500 kWh por mês, custo de R$ 10.000, kWh de R$ 0,90, Fio B de R$ 0,20 por kWh e 30% da geração consumida na hora (os outros 350 kWh são injetados e compensados). A economia bruta é de R$ 450 por mês, e o Fio B cobrado vale 350 kWh vezes o percentual do ano vezes R$ 0,20.

AnoFio B cobradoEconomia líquida por mêsRetorno, se o percentual do ano valesse o tempo todo
Sem Fio BR$ 0,00R$ 450,00cerca de 22,2 meses
2023 (15%)R$ 10,50R$ 439,50cerca de 22,8 meses
2025 (45%)R$ 31,50R$ 418,50cerca de 23,9 meses
2026 (60%)R$ 42,00R$ 408,00cerca de 24,5 meses
2027 (75%)R$ 52,50R$ 397,50cerca de 25,2 meses
2028 (90%)R$ 63,00R$ 387,00cerca de 25,8 meses

Como o percentual sobe a cada ano, quem instala em 2026 passa pelos três valores seguintes, e o retorno do exemplo fica perto de 25 meses. A conta ignora juros e manutenção, e por isso o retorno real é maior. O ponto é a diferença: da regra antiga para a de 2026, o exemplo perde pouco mais de 2 meses, e em 2028 perde cerca de 3 meses e meio. Para trocar os números do exemplo pelos seus, use o passo a passo de quanto custa energia solar.

Vale esperar para instalar?

Esperar não foge do Fio B, porque o percentual vale por ano para todos os sistemas que estão na regra de transição, e não pela data da instalação. Quem instala em 2027 paga 75% em 2027, exatamente como quem instalou em 2026.

O que a espera muda é o outro lado da conta. No exemplo, deixar de instalar por 12 meses significa abrir mão de 12 vezes R$ 408, ou R$ 4.896 de economia líquida, para continuar pagando a conta cheia. O único ganho possível é o preço do sistema cair: mesmo que ele caísse 7% no período, 7% de R$ 10.000 seriam R$ 700, e a queda não é garantida.

A exceção é a conta pequena: se o consumo está perto do mínimo cobrado, o sistema pouco economiza, e esperar ou nem instalar pode ser o melhor. A pergunta certa é qual economia a sua fatura permite, e o guia energia solar vale a pena na Bahia mostra como medir.

O que acontece a partir de 2029

A partir de 2029, o artigo 17 da lei manda aplicar as regras tarifárias que a ANEEL definir, abatendo os benefícios que a geração distribuída traz ao sistema elétrico. Ainda não existe regra final, e quem afirma o valor de 2029 está chutando.

O que existe é processo em andamento. A ANEEL abriu em dezembro de 2025 a tomada de subsídios 23/2025 sobre modelos de valoração, com contribuições até março de 2026. Em abril de 2026, a agência também colocou em consulta pública uma proposta para rever a compensação dos excedentes, segundo a pv magazine. É uma proposta, e não regra em vigor.

Para o planejamento, a recomendação prática é fazer a conta com o Fio B de 2026 a 2028 e tratar 2029 como risco desconhecido. Um sistema que só se paga se nada mudar depois de 2029 é um sistema mal dimensionado.

Como reduzir o peso do Fio B

Você reduz o Fio B consumindo mais energia durante o dia, porque a energia usada na hora não é compensada. Quanto mais do consumo cai nas horas de sol, menos você injeta e menos paga.

  • Consumir de dia: máquina de lavar, bomba, passar roupa e carregador de carro elétrico nas horas de sol.
  • Dimensionar pelo consumo real: o sistema não deve gerar muito mais do que a casa usa, porque o excedente é o que paga Fio B.
  • Programar as cargas: timers e rotinas ligam os aparelhos no horário certo; veja como a automação economiza energia.
  • Avaliar bateria: guardar a energia do dia para a noite reduz a injeção, mas tem custo alto; veja baterias e sistema híbrido antes de decidir.
  • Conferir quantas placas a casa precisa: o cálculo está em quantas placas solares preciso.

O que a lei não muda e quando chamar um profissional

A Lei 14.300 mantém os créditos por 60 meses, e as bandeiras tarifárias não incidem sobre a energia excedente compensada. O mínimo cobrado pela distribuidora e a iluminação pública continuam na fatura, e por isso a conta nunca zera.

Instalação de energia solar envolve trabalho em altura, quadro elétrico e ligação à rede, e nunca é serviço de fazer sozinho. A LB avalia a parte elétrica da casa, executa a instalação e acompanha o processo na distribuidora; projeto e responsabilidade técnica ficam com profissional habilitado parceiro, e o orçamento vem por escrito depois do diagnóstico. Veja como funciona a energia solar residencial e a explicação do básico em como funciona a energia solar.

Perguntas frequentes

A taxação do sol é um imposto?

Não. É a cobrança, definida no artigo 27 da Lei 14.300, de um percentual das componentes da tarifa que remuneram a rede da distribuidora, aplicado sobre a energia compensada. O percentual sobe de ano em ano até 2028.

Quem já tem energia solar paga o Fio B?

Quem já tinha sistema na publicação da lei ou pediu acesso nos 12 meses seguintes segue a regra antiga até 31 de dezembro de 2045. Quem pediu depois entra na escala do Fio B, e a ampliação de um sistema antigo tem regra própria para a parte nova.

Gerar e consumir ao mesmo tempo paga Fio B?

Não: o Fio B incide sobre a energia compensada, que é a que voltou da rede. A energia que a casa usa na hora em que o sistema gera não passa por essa cobrança.

O que acontece depois de 2029?

A lei manda aplicar as regras tarifárias que a ANEEL definir, abatendo os benefícios que a geração distribuída traz ao sistema. Em dezembro de 2025, a ANEEL abriu uma tomada de subsídios sobre o assunto, e ainda não há regra final publicada.

Ainda vale a pena instalar energia solar com a Lei 14.300?

Na conta de exemplo deste guia, sim: o Fio B alonga o retorno em alguns meses, mas não o inviabiliza. A decisão depende do consumo, do preço do sistema e do valor do kWh da sua fatura, e o guia de quanto custa energia solar mostra como refazer a conta.

Bruno Santos, fundador da LB
Bruno Santos Fundador da LB Elétrica e Automação Residencial

Eletricista profissional certificado pelo SENAI, com mais de 20 anos de experiência e especializado em elétrica voltada à automação residencial. Também atua como consultor de SEO. Conheça a LB e os fundadores ou veja o perfil profissional de Bruno.

Continue lendo

Artigos relacionados

Energia solar com a conta feita pela regra de hoje

A LB dimensiona o sistema pelo seu consumo, avalia a parte elétrica da casa e mostra o retorno sem prometer conta zero. Orçamento por escrito depois do diagnóstico.