Glossário · Energia solar

O que é Fio B (a parte da tarifa que a Lei 14.300 passou a cobrar de quem gera)?

A parte da tarifa que paga o uso da rede e que a Lei 14.300 cobra de forma gradual de quem gera a própria energia.

5 min de leitura Atualizado em 12/10/2026
Resumo do conteúdo

Fio B é a parte da tarifa que remunera o uso da rede de distribuição, e a Lei 14.300 faz quem gera a própria energia pagar uma fatia dela de forma gradual. A cobrança incide sobre a energia compensada e, para quem pediu acesso depois do início de 2023, sobe de 15% em 2023 para 60% em 2026 e 90% em 2028. Quem estava na regra de transição segue a regra antiga até 2045.

Principais pontos
  • O Fio B é a parte da tarifa pelo uso da rede, que a Lei 14.300 cobra aos poucos de quem gera a própria energia.
  • A escala para sistemas novos vai de 15% em 2023 a 60% em 2026 e a 90% em 2028; de 2029 em diante vale a regra da ANEEL.
  • Quem tinha sistema em janeiro de 2022 ou pediu acesso em até 12 meses depois segue a regra antiga até 2045.
  • O Fio B incide sobre a energia compensada, e não sobre a energia usada na hora em que o sistema gera.
  • O valor em reais por kWh é o da tarifa da sua distribuidora e muda a cada reajuste.

O Fio B é a razão de se falar em taxação do sol. Ele não é imposto sobre a luz do sol: é a parte da tarifa que paga o uso da rede da distribuidora, e quem gera a própria energia passou a pagar uma fatia dela.

Veja a escala de cobrança por ano, quem está na regra antiga, como estimar o valor na sua conta e por que consumir de dia reduz o peso dele.

Infográfico do verbete Fio B: definição, termos relacionados e onde aparece, com Bruno Santos e Luciano Brandão, fundadores da LB
Índice

O que significa Fio B na prática?

Na prática, o Fio B é a parte da tarifa que paga o uso da rede da distribuidora, e a Lei 14.300 faz quem gera a própria energia passar a pagar uma fatia dela, aos poucos. É o que o mercado chama de taxação do sol.

O nome é do setor: o artigo 27 da lei fala em percentuais das componentes da tarifa ligadas à remuneração, à depreciação e à operação e manutenção da rede. Essas componentes fazem parte da TUSD, como mostra o termo tarifa de energia, com TE e TUSD.

Qual percentual do Fio B é cobrado a cada ano?

Para quem entrou depois do início de 2023, a cobrança sobe 15 pontos por ano até 2028. Em 2026, o percentual é 60%, e a tabela mostra a escala que a lei traz.

AnoPercentual do Fio B sobre a energia compensadaExemplo: a cada R$ 100,00 de Fio B
202315%R$ 15,00
202430%R$ 30,00
202545%R$ 45,00
202660%R$ 60,00
202775%R$ 75,00
202890%R$ 90,00
2029 em dianteRegra do artigo 17, definida pela ANEELDepende da regra publicada

A lei manda aplicar, a partir de 2029, as regras tarifárias da ANEEL para a geração distribuída, abatendo os benefícios que ela traz ao sistema. Antes de decidir com base nesse ano, confira a regra publicada pela ANEEL.

Quem está na regra antiga e quem paga o Fio B?

Quem já tinha sistema na publicação da lei, em janeiro de 2022, ou protocolou o pedido de acesso em até 12 meses depois, segue a regra antiga até 31 de dezembro de 2045. Quem pediu acesso depois entra na escala do Fio B.

O que vale é a data do pedido na distribuidora, e não a data em que o sistema foi ligado. A ampliação de um sistema antigo tem regra própria para a parte nova, e o guia sobre a Lei 14.300 e a taxação do sol detalha cada caso. Veja também o termo Lei 14.300.

Como estimar o Fio B na sua conta

A conta combina três dados da fatura: os kWh compensados, o valor do Fio B por kWh na tarifa da sua distribuidora e o percentual do ano. O resultado é uma estimativa, e a fatura traz o valor final.

  1. Pegue os kWh de energia compensada no mês, ou seja, a energia que voltou da rede como crédito.
  2. Descubra o valor do Fio B por kWh na tarifa da sua distribuidora, que muda a cada reajuste.
  3. Multiplique os kWh pelo valor do Fio B.
  4. Multiplique o resultado pelo percentual do ano: 60% em 2026.

Como exemplo, com 400 kWh compensados e um Fio B ilustrativo de R$ 0,20 por kWh, a conta é 400 × 0,20 × 0,60, ou R$ 48,00 no mês. O valor de R$ 0,20 é só um exemplo para mostrar o cálculo, e o real é o da sua distribuidora.

O que ninguém te conta sobre o Fio B

O Fio B incide sobre a energia compensada, e não sobre a energia que a casa usa na hora em que o sistema gera. Quem consome mais de dia paga menos Fio B, porque menos energia passa pela rede e volta como crédito.

Esperar para instalar não escapa dele: o percentual vale por ano para todos os sistemas da escala. Além disso, o Fio B não é somado ao custo de disponibilidade, e o crédito de energia continua abatendo o consumo. Para ver o efeito no retorno de uma casa, veja energia solar vale a pena na Bahia e a energia solar residencial.

Perguntas frequentes sobre o Fio B

Fio B é imposto?

Não. É uma parte da tarifa que remunera o uso da rede de distribuição, cobrada de forma gradual sobre a energia compensada de quem gera a própria energia, conforme a Lei 14.300.

Quem não paga a escala do Fio B?

Quem tinha sistema na publicação da lei ou protocolou o pedido de acesso em até 12 meses depois segue a regra antiga até 31 de dezembro de 2045. Quem pediu acesso depois entra na escala.

O Fio B incide sobre a energia que uso na hora?

Não. Ele incide sobre a energia compensada, aquela que volta da rede como crédito. A energia que a casa usa enquanto o sistema gera não passa por essa cobrança.

Bruno Santos, fundador da LB
Bruno Santos Fundador da LB Elétrica e Automação Residencial

Eletricista profissional certificado pelo SENAI, com mais de 20 anos de experiência e especializado em elétrica voltada à automação residencial. Conheça a LB e os fundadores.

Continue aprendendo

Termos relacionados

Conceitos que ajudam a entender o Fio B e a comparar propostas com segurança.

Lei 14.300

Marco legal da geração distribuída, de 2022.

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Tarifa (TE e TUSD)

A tarifa de energia soma a TE, que paga a energia em si, e a TUSD, que paga o uso da rede de distribuição, além de impostos.

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Custo de disponibilidade

Valor mínimo cobrado mesmo quando você gera mais do que consome.

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