Resumo do conteúdo
Bitola do cabo, que a norma chama de seção nominal, é a área do condutor medida em milímetros quadrados (mm²). Quanto maior a seção, mais corrente o cabo suporta sem esquentar além do limite. Cabo fino demais para a carga aquece, derrete a isolação e pode causar incêndio, e o disjuntor precisa ser escolhido para proteger o cabo, nunca ao contrário.
Principais pontos
- A bitola é a área do condutor em mm², e não o diâmetro nem a espessura da capa.
- A NBR 5410 fixa seções mínimas para cobre: 1,5 mm² em circuitos de iluminação e 2,5 mm² nos de tomadas.
- A corrente que o cabo suporta depende da seção e do modo de instalação: eletroduto embutido, vários cabos juntos e calor mudam o limite.
- O disjuntor do circuito não pode ser maior do que o cabo aguenta; trocar o disjuntor por um maior sem trocar o cabo é erro grave.
- Distância longa pede seção maior para evitar queda de tensão, mesmo que a corrente seja a mesma.
A bitola do cabo, ou seção do condutor, é o número impresso na capa do fio: 1,5, 2,5, 4, 6, 10 mm². Ele diz o tamanho do caminho que a corrente tem dentro do cobre, e é um dos itens que mais separam uma instalação segura de uma que esquenta.
Abaixo você vê o que a bitola significa, quanta corrente cada seção suporta, como escolher a certa e por que cabo fino é perigoso.

Índice
O que significa bitola do cabo na prática?
Bitola é a área da seção do fio de cobre, em mm²: quanto maior o número, mais grosso o condutor e mais corrente ele leva. Pense numa estrada: com mais pistas passam mais carros sem congestionar; num cabo fino com corrente demais, o cobre esquenta.
É a seção do cobre que conta, e não a capa de plástico. Por isso dois cabos de aparência parecida podem ter bitolas diferentes, e a seção vem marcada na própria capa. A corrente elétrica que o aparelho puxa é o número que você compara com o que o cabo suporta.
Quanta corrente cada bitola suporta?
Depende da seção e de como o cabo está instalado. A tabela traz o limite para cabo de cobre com isolação de PVC, condutores isolados em eletroduto (método B1), dois condutores carregados, conforme a tabela 36 da NBR 5410 reproduzida no guia de dimensionamento da Prysmian.
| Seção | Corrente máxima (referência) | Uso de referência |
|---|---|---|
| 1,5 mm² | 17,5 A | Mínimo da norma para iluminação |
| 2,5 mm² | 24 A | Mínimo da norma para tomadas |
| 4 mm² | 32 A | Guias indicam para chuveiro de 4.500 a 5.500 W em 220 V |
| 6 mm² | 41 A | Guias indicam para chuveiro de 6.800 a 7.500 W em 220 V |
| 10 mm² | 57 A | Guias indicam para chuveiro de 5.500 W em 127 V |
Esses limites caem quando há vários circuitos no mesmo eletroduto, calor ou instalação diferente da tabela. Por isso a coluna de uso é só referência de conversa, e o eletricista define o cabo do seu caso. Os valores de chuveiro vêm do guia sobre chuveiro que dá choque.
Como escolher a bitola certa
Escolha pela corrente do aparelho, confira a distância e só então defina o disjuntor. O cabo é o elo que precisa suportar mais do que o disjuntor deixa passar.
- Leia a potência e a tensão na etiqueta do aparelho, como 5.500 W e 220 V.
- Divida a potência pela tensão para achar a corrente: 5.500 ÷ 220 dá 25 A.
- Escolha um disjuntor acima dessa corrente, como o de 32 A, que é um valor comercial.
- Escolha o cabo cuja capacidade seja igual ou maior que o disjuntor: o de 4 mm² suporta 32 A na tabela acima.
- Se o cabo for longo, aumente a seção para evitar queda de tensão.
Esse é um exemplo de conta, e não projeto: o eletricista confere o modo de instalação e a distância do seu caso.
O perigo do cabo fino demais
Cabo fino para a carga esquenta, resseca a isolação e pode causar curto-circuito ou incêndio. O pior é que o problema costuma ficar escondido dentro da parede.
A situação fica ainda mais perigosa quando o disjuntor é maior do que o cabo aguenta: o cabo esquenta e o disjuntor não desarma. Sinais de aviso são tomada ou plugue quentes, cheiro de plástico queimado e disjuntor que cai ao ligar aparelho forte. Veja os sinais de instalação elétrica com problema e a sobrecarga que costuma vir junto.
Erros comuns com a bitola
O erro típico é aumentar o aparelho ou o disjuntor e esquecer o cabo. Em casa antiga, a fiação costuma ter sido feita para uma carga bem menor que a de hoje.
- Trocar um chuveiro por outro mais potente sem conferir o cabo.
- Subir o disjuntor porque ele desarma, em vez de achar a causa.
- Usar o mesmo cabo de 2,5 mm² para tomada comum e para aparelho de alta potência.
- Comprar cabo sem a seção marcada na capa ou de origem duvidosa.
Quando chamar um eletricista
Chame o eletricista antes de trocar chuveiro, forno ou ar-condicionado, ao instalar carregador de carro elétrico e quando a fiação for antiga. Abrir parede e dimensionar cabo exige conhecer norma, carga e caminho do circuito, e erro aí vira risco de incêndio.
O trabalho de eletricista residencial inclui conferir cabos e disjuntores de cada circuito, e a troca de fiação resolve instalações antigas. Para saber se a sua precisa disso, veja como saber se a fiação precisa ser trocada.
Perguntas frequentes sobre a bitola do cabo
Bitola e diâmetro são a mesma coisa?
Não. Bitola, no uso da elétrica, é a área da seção do condutor em mm². O diâmetro do cobre é outra medida e a capa de plástico não entra na conta.
Qual a bitola mínima para tomada e para lâmpada?
Pela NBR 5410, o mínimo para condutor de cobre é 2,5 mm² em circuitos de tomada e 1,5 mm² em circuitos de iluminação. O mínimo não garante que sirva para a sua carga: o eletricista calcula o seu caso.
Posso usar um cabo mais grosso do que o necessário?
Pode, e isso é seguro para o cabo, pois ele esquenta menos. O que não pode é um disjuntor maior do que o previsto para o circuito, porque o disjuntor deve ser escolhido pela proteção do cabo e do aparelho.
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